Terminou no último dia 12 de maio o III Encontro de Engenharia de Materiais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que teve como tema "Alumínio para Futuras Gerações". Fruto de uma parceria da Associação Brasileira do Alumínio - ABAL com o Mackenzie, o Encontro contou com um amplo programa de palestras sobre as aplicações do alumínio, seu mercado, tecnologias de produção e de reciclagem, tendo como última atividade uma visita técnica à Companhia Brasileira de Alumínio - CBA. O evento, que também marcou o lançamento do Projeto ABAL Alumínio nas Escolas, chegou ao seu final com a proposta, feita pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de elaboração de um curso de extensão com duração de três meses sobre o alumínio.
O anúncio aconteceu na noite do dia 11 de maio, durante o encerramento do ciclo de palestras. A Profa. Dra. Leila Figueiredo de Miranda, chefe do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Mackenzie, falou sobre o interesse dos alunos pelo tema alumínio e sua importância como material de engenharia, o que justifica a criação de um curso específico. "O Encontro mostrou, por seu grande número de inscrições, que há muito interesse pelo estudo deste material", afirmou. A avaliação é a mesma do coordenador do Projeto ABAL Alumínio nas Escolas, Ayrton Filleti, que ficou muito entusiasmado com a participação dos alunos durante o evento. Para ele, o curso de extensão será a realização de um dos objetivos desse projeto da ABAL. "Esperamos que outras faculdades sigam o exemplo e tomem uma iniciativa semelhante", comentou.
Ciclo de palestras e debates Durante os quatro dias de apresentações, os alunos que participaram do III Encontro de Engenharia de Materiais da Universidade Presbiteriana Mackenzie conheceram um panorama completo sobre a indústria do alumínio e seus mercados. No dia 08 aconteceu a abertura oficial do evento, que marcou o lançamento do Projeto ABAL Alumínio nas Escolas, iniciativa que visa disseminar conhecimento, fomentar a pesquisa e a inovação tecnológica do alumínio no meio acadêmico e fortalecer parcerias com instituições de ensino técnico e superior do país.
Na cerimônia de abertura, Luis Carlos Loureiro Filho, presidente da ABAL, mostrou que o metal faz parte do dia-a-dia das pessoas. "O alumínio é o mais 'democrático' dos metais, pois está presente na carroçaria de uma Ferrari e nas janelas de casas populares em todo o Brasil", afirmou. Já o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Prof. Dr. Manassés Claudino Fonteles, defendeu o estudo do alumínio em todas as modalidades de engenharia. "É essencial nos dias de hoje que o conhecimento seja transformado em tecnologia aplicada e esse é o caso do alumínio", assegurou.
A palestra inaugural foi do presidente da Novelis do Brasil Ltda. e vice-presidente da ABAL, Antonio Tadeu Coelho Nardocci. Com o tema "Alumínio para Futuras Gerações", Nardocci apresentou um panorama geral da indústria do alumínio e suas perspectivas futuras e destacou as aplicações em que o alumínio mostra-se uma opção sustentável. Ressaltando a reciclabilidade do metal e a busca por soluções inovadoras, o palestrante falou de novas pesquisas envolvendo, por exemplo, embalagens de alumínio.
A Profa. Dra. Leila Figueiredo de Miranda, chefe do Departamento de Engenharia de Materiais do Mackenzie, presidiu o painel "O Alumínio na Grade Curricular dos Cursos de Engenharia de Materiais" com importantes personalidades acadêmicas da engenharia de materiais. Participaram do painel o coordenador do Projeto ABAL Alumínio nas Escolas, Ayrton Filetti, o Prof. Dr. André Tschiptschin, chefe do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da POLI/USP, o Prof. Dr. Luis Carlos Martinez, chefe do Departamento de Metalurgia e Materiais da FEI, o Prof. Dr. José Carlos Bressiani, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN e o estudante Miguel Henrique Neves Furlaneto, diretor da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais Júnior. Foi consenso entre os participantes que, devido à crescente importância do alumínio na engenharia, é necessário um maior espaço para o estudo do metal. As universidades devem ao menos oferecer aos estudantes uma disciplina optativa sobre alumínio.
No segundo dia do Encontro, Renato A. L. F. Chaves, diretor Industrial da Valesul Alumínio S.A., falou sobre a história, a mineração e a produção do alumínio, ressaltando a vocação brasileira para a produção do metal.
Em seguida, Maurício Born, gerente de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da Alcoa Alumínio S.A. e coordenador da Comissão de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ABAL, mostrou como o setor do alumínio trilha o caminho da sustentabilidade por meio do Programa "Alumínio para Futuras Gerações", que promove a melhoria contínua do desempenho global nos aspectos econômico, social e ambiental. Em todo o mundo, o setor estabeleceu metas e compromissos para ampliar sua performance sustentável.
Para falar sobre a reciclagem de alumínio no Brasil, José Roberto Giosa, diretor presidente da Aleris Latasa Reciclagem S.A. e coordenador da Comissão de Reciclagem da ABAL, apresentou uma palestra e explicou como a reciclagem do metal, especialmente de latas de bebidas, movimenta a economia. Ainda na terça-feira, Paulo Nakamichi, gerente técnico comercial da Divisão de Laminados da Alcoa Alumínio S.A. falou aos estudantes sobre o ciclo de produção de produtos laminados e a aplicação do alumínio em diversas embalagens.
Já a quarta-feira, 10 de maio, foi dedicada à apresentação de engenheiros de materiais formados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Despertando um especial interesse dos estudantes, os profissionais Gisele Szilágyi, Geraldo Liserre, Lucia Beatriz de Rizzo e Daniel Fioravante Peixoto mostraram sua experiência no mercado de trabalho e apresentaram palestras sobre diversos temas relacionas ao alumínio e suas aplicações.
O último dia de palestras contou com três apresentações. A diretora da Faculdade de Engenharia Mecânica da UNICAMP, Maria Helena Robert, falou sobre a conformação do alumínio no estado semi-sólido, tecnologia relativamente nova para os brasileiros, embora já utilizada em larga escala na Europa e nos Estados Unidos. Em seguida, Adilson de Souza Molero, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Hydro Alumínio Acro S.A., mostrou as aplicações do alumínio no setor automotivo e de transportes e a tendência crescente de utilização do metal neste segmento.
Encerrou os trabalhos o diretor corporativo de Desenvolvimento Organizacional da Votorantim Participações S.A., Gilberto Lara Nogueira, que falou para os futuros engenheiros de materiais sobre o mercado de trabalho na indústria brasileira. Nogueira afirmou que existe uma grande demanda atual por profissionais melhor capacitados. Boa parte dessa demanda é por engenheiros, como ele exemplificou: "A Votorantim deve contratar 17 mil novos funcionários até 2008, desse total, cerca de um mil devem ser engenheiros", afirmou.
Ele explica que ter conhecimento e experiência com o alumínio pode ser um diferencial, mas que o essencial é que o profissional saiba trabalhar em equipe, seja empreendedor, tenha ética e esteja constantemente se aperfeiçoando. "No programa de trainee da Votorantim procuramos não só os profissionais que se destacaram na faculdade, mas também aqueles que se encaixam no perfil da empresa", ressaltou.
Para Luis Carlos Loureiro Filho, presidente da ABAL e Diretor da Companhia Brasileira de Alumínio - CBA, a indústria do alumínio é uma opção muito interessante para os futuros engenheiros porque existe uma grande variedade de aplicações de alumínio, o que possibilita que o profissional atue em diversos tipos de empresa, aumentando o seu conhecimento e experiência. "É um setor ganhador, que vai continuar crescendo no mundo inteiro e no qual eu considero um privilégio trabalhar", sentenciou.
Exposição
Simultaneamente ao Encontro, aconteceu a Exposição "Alumínio para Futuras Gerações". Aberta aos participantes do evento e a todos os estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a mostra apresentou diversas aplicações do alumínio na indústria, ressaltando os aspectos que tornam o metal um dos principais materiais usados na criação de novas tecnologias. Imagens e produtos, como o space frame da Ferrari Modena 360, trouxeram ao universo dos futuros profissionais o leque amplo de opções em que o alumínio pode ser aplicado em prol do desenvolvimento.
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