| O alumínio e o real forte |
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A apreciação do real frente ao dólar tem sido uma questão bastante discutida na indústria brasileira, pois diversos setores da economia são afetados em seu poder de competição, principalmente no que se refere às exportações.
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Luis Carlos Loureiro Filho - Presidente da Associação Brasileira do Alumínio *
A apreciação do real frente ao dólar há algum tempo tem sido uma questão bastante discutida na indústria brasileira, pois diversos setores da economia estão sendo afetados diretamente em seu poder de competição, principalmente no que se refere às exportações. Para exportar mais e trazer desenvolvimento ao país, setores produtivos encontram dificuldades em manter seus custos - normalmente em reais - e vender os seus produtos - em dólar - no mercado internacional. A indústria do alumínio no Brasil também vive essa realidade. Porém, o fator real versus dólar tem equilibrado as altas das cotações do alumínio no mercado internacional.
O mercado do alumínio, no Brasil e em todo o mundo, é essencialmente concorrencial e competitivo. As cotações de alumínio primário na Bolsa de Metais de Londres são referência para o mercado brasileiro desde 1990, quando os preços do metal foram liberados do controle governamental. Como price takers no mercado mundial, os produtores nacionais operam à plena capacidade, priorizando a demanda interna e exportando o excedente não consumido. É com esse mecanismo que as empresas primaristas e transformadoras operam no mercado nacional.
Por ser uma commodity, o alumínio tem seu valor monetário estabelecido com base na relação oferta-demanda e outros fatores conjunturais. Hoje, especialistas internacionais apontam que os altos níveis do preço do metal se devem à movimentação de fundos de investimento e à perspectiva de redução de oferta de metal com o fechamento de smelters dos Estados Unidos e Europa, além de questões ambientais e outros aspectos que podem levar a China a uma redução na capacidade produtiva.
Entretanto, ao examinar a história das cotações do alumínio primário na Bolsa de Metais de Londres, observa-se diversos ciclos com picos de US$ 4 mil por tonelada e pisos inferiores a US$ 1 mil por tonelada. O mesmo ocorre com outros metais. A média das cotações à vista no mês de janeiro de 2006 chegou a US$ 2.378/tonelada, tendo atingido um pico de US$ 2.496/t no final do mês, o maior patamar dos últimos 17 anos, que nos leva a uma reflexão não só sobre o mercado internacional, mas também sobre o seu real impacto no cenário nacional.
Ao observar que o mercado brasileiro do alumínio, embora regido pelas cotações internacionais, trabalha com valores em reais, um exame apurado do comportamento dos preços do metal revela um outro cenário. Devido à apreciação do real frente ao dólar, a média das cotações caiu 8% em moeda nacional na comparação de 2005 com 2004, enquanto, em moeda americana, as cotações na LME subiram 11%. Numa análise pontual, a variação da cotação média de dezembro de 2005 sobre a de dezembro de 2004 foi de 21,5% em dólar e de apenas 1,9% em real, percentual próximo à evolução do IGP-M (FGV), de 1,21% e aquém da inflação medida pelo IPCA (IBGE), que foi de 5,69% no período.
A indústria do alumínio teve um bom desempenho em 2005, com crescimento superior a 9%, e está capacitada a crescer ainda mais em 2006. Hoje, o setor investe cerca de R$ 1,5 bilhão por ano e foi com esses maciços investimentos que atingiu, em 2005, a produção de 1,5 milhão de toneladas de alumínio primário, firmando-se como sexto produtor mundial. O grande desafio é aumentar a demanda de produtos transformados de alumínio, seja no mercado interno, que por várias razões inerentes a um país em desenvolvimento, não acompanhou o ritmo da produção primária, ou no cenário internacional, no qual o câmbio tem sua maior influência.
A indústria brasileira do alumínio tem mostrado a sua capacidade de conquistar mercados fora do país. Exportou em 2005 quase US$ 3 bilhões, representando 2,5% do total exportado pelo país. Quase um milhão de toneladas de produtos de alumínio brasileiro foram vendidas no exterior.
No entanto, é importante perceber que a atual situação do câmbio pode interferir até mesmo no reinvestimento das empresas do setor na própria cadeia do alumínio. Com o real valorizado, setores consumidores do alumínio, como a indústria automotiva, de embalagens e bens de consumo, por exemplo, têm dificuldades para manter a exportação de produtos com maior valor agregado que ampliam e consolidam a participação brasileira no mercado externo.
O governo tem uma tarefa difícil, porém fundamental. Continuar equilibrando as contas públicas, mantendo a inflação controlada e, paralelamente, desonerar a cadeia produtiva, realizando a tão desejada Reforma Tributária. Somente assim o Brasil poderá atingir um patamar de desenvolvimento sustentado compatível com as nações desenvolvidas.
*Artigo publicado na edição de 14 de fevereiro de 2006 do jornal Gazeta Mercantil
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Publicado em: Março/2006
Fonte: ABAL - Associação Brasileira do Alumínio
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