![]() |
|||||||||||||
|
Jorge Rada, CEO da Nemak América do Sul, conta como as principais tendências do mercado automotivo justificam o investimento de mais de US$ 485 milhões no aumento da capacidade de produção de peças de alumínio feito pelo Grupo
“A América do Sul certamente acompanhará a tendência mundial de aumento da participação do alumínio em veículos”. A afirmação é de Jorge Rada, C.E.O. da multinacional mexicana Nemak, líder mundial de fundição de componentes automotivos em alumínio, na América do Sul. Segundo ele, a estimativa é que, já em 2015, a média da participação do alumínio em carros chegue a 200kg por unidade.
Rada – O cenário é bastante positivo e a Nemak busca, através destas aquisições, uma presença globalizada, podendo estar mais próxima de seus clientes mundialmente, oferecendo todas as tecnologias disponíveis no mercado. O foco da Nemak está em produtos de alta complexidade como blocos, cabeçotes e transmissões. A Nemak está preparada para atender ao crescimento de mercado e ser sempre a melhor opção para seus clientes em tecnologia, custo e qualidade dos produtos e serviços. ALUAUTO – Qual a perspectiva de crescimento da participação do alumínio em veículos nacionais e sul-americanos? Rada – A América do Sul certamente acompanhará a tendência mundial de aumento da participação do alumínio em veículos. Hoje os cabeçotes dos veículos já foram substituídos em sua totalidade por alumínio. No caso dos blocos, devido aos altos investimentos nas linhas de usinagem para troca deste componente, ainda estamos no início desta substituição. No entanto, os benefícios como redução de peso, melhor usinabilidade, melhor performance do motor, além de causar menor impacto ao meio ambiente, farão com que esta tendência seja concretizada à medida que novos motores sejam lançados. Rada – No Brasil, a maior participação nas vendas ainda é de carros “populares”, somente uma pequena parcela da população pode comprar veículos de luxo. Com medidas como financiamentos a longo prazo, o mercado está bastante aquecido e, em muitos casos, o consumidor já começa a aceitar pagar parcelas mais altas para compra de um carro com mais potência. Além disso, com o crescimento do mercado, haverá ganho de escala, o que tornará cada vez mais viável a introdução de outros componentes de alumínio, principalmente blocos de motor e peças de segurança como mangas de eixo e braços de suspensão. A tendência mundial é que o alumínio seja responsável por 200 kg no peso do carro em 2015.
ALUAUTO – O próprio bloco de motor está cada vez mais presente em carros populares. Até mesmo o motor do Nano, o tal do carro mais barato do mundo, vem agora em alumínio. Mas quais são os desafios da aplicação em série do alumínio nos veículos, e como o sr. analisa as perspectivas de utilização do metal em carros populares? Rada – Um dos grandes desafios é compensar o custo do desenvolvimento e alterações das linhas sem aumentos de preços para os carros populares. Além disso, os veículos de luxo sempre demandam tecnologias de ponta, com desenvolvimentos constantes que possibilitam a entrada de novos componentes e a conseqüente conversão para o uso de alumínio. Por outro lado, os veículos populares necessitam uma longevidade maior para amortizar os investimentos. ALUAUTO – Outra tendência é a necessidade de aumentar a eficiência de combustível, que tem levado muitas empresas automotivas ao redor do mundo a investirem em avanços nas tecnologias dos motores. Nessa edição, trouxemos até uma matéria que fala da Norma CAFE e traz detalhes de redução de emissão por componente. O que o setor de fundidos tem a oferecer nesse sentido? Rada – Pela fundição do alumínio é possível obter peças com geometrias mais complexas, com estreitas tolerâncias dimensionais e funções integradas, ou seja, um único fundido de alumínio pode substituir diversos componentes, reduzindo custos e melhorando a eficiência dos motores. Além disso, por ser mais leve, há a redução do consumo e emissões e pode ser infinitamente reciclável. Quanto à performance, há que se destacar ainda, que devido à boa combinação de propriedades mecânicas, de corrosão e de fundição, o alumínio melhora o desempenho de diversos componentes automotivos. ALUAUTO – Os recentes recordes nas cotações dos metais não-ferrosos, como o alumínio, e o aumento na cotação do ferro, já tem levado muitas fabricantes de autopeças e montadoras a reagirem contra um possível repasse de custo de matérias-primas e insumos. Esses valores, no entanto, são flutuantes, dado que o preço do alumínio, diante do temor de uma recessão mundial, também vem sofrendo quedas diárias. O setor de fundição já vive essa flutuação de margens há alguns anos, inclusive deixando de repassar os custos para manter clientes e operando no negativo. Até que ponto deve chegar esse cenário e como a Nemak tem equilibrado sua gestão quanto a isso? Rada – A flutuação do preço do alumínio, assim como a do dólar tem-se mostrado bastante volátil, e entendemos que o importante é termos um canal de comunicação bastante transparente com nossos clientes para discutirmos nestas ocasiões. ALUAUTO – E quem são seus clientes? Do total de fundidos produzidos pela Nemak do Brasil, quanto é comercializado internamente no mercado automotivo e quanto é exportado para montadoras estrangeiras? Rada – Devido a grande capilaridade do Grupo Nemak e ao crescimento do mercado interno, nossas vendas estão focadas basicamente para o mercado interno. Porém através da exportação de nossos clientes, estimamos que de 15% a 20% dos produtos da Nemak Brazil são exportados para todos os continentes do planeta. Estamos acompanhando de perto o crescimento da indústria nacional e estamos confiantes que a demanda interna irá continuar crescente. Podemos ver que cada vez mais as montadoras estão escolhendo o alumínio como o principal material de blocos de motor. ALUAUTO – Certamente vocês têm comparativos entre a utilização de alumínio e de outros metais nesses componentes (cabeçotes e blocos de motor)? Poderia me relatar alguns resultados desses comparativos? Rada – Estudos demonstram que as principais vantagens do alumínio para a indústria automotiva são: segurança, economia, dirigibilidade, reciclagem, durabilidade e leveza. |
||||||||||||
|
|||||||||||||