![]() |
|||||||||||||||||||||||||
|
Carrocerias em alumínio são destaque dos últimos modelos apresentados pela Scania e a chinesa Yutong Bus. Conheça as vantagens mecânicas e operacionais dessa opção e as oportunidades de aplicação no Brasil. Os últimos lançamentos tecnológicos do mercado internacional de fabricação de ônibus revelam o impacto do alumínio no desenvolvimento de veículos mais leves, econômicos, resistentes e menos poluentes. É o caso do “ônibus do futuro”, como vem sendo chamado o modelo urbano recentemente apresentado pela sueca Scania e que já está em fase de testes com clientes. A principal inovação do veículo de 18 toneladas, 10,4 metros de comprimento, velocidade máxima de 78 km/h, capacidade para 81 passageiros e que combina combustíveis renováveis a uma tecnologia híbrida-elétrica, é a carroceria: 100% em alumínio. Esse também é o diferencial da nova geração de ônibus sustentáveis e energeticamente eficientes que já poderão ser vistos circulando nas ruas de Pequim, durante as olimpíadas. Resultado de uma parceria entre a Alcoa e a líder chinesa Zhengzhou Yutong Bus Co, o ônibus contém 1309 kg de alumínio, utilizados tanto na estrutura de carroceria e de suspensão (que consomem a maior parte, 1113 kg), quanto nos painéis de acesso e nas rodas forjadas (196 kg). Essas aplicações resultaram numa redução expressiva de 46% do peso do veículo e, de acordo com Kelvin Li, diretor de marketing da Alcoa da Ásia, num custo adicional de “US$ 7 mil por 12 metros de estrutura do ônibus, o que corresponde a menos do que 15% de aumento em relação a um típico ônibus urbano feito em aço”, diz. Para Tang Yuxiang, presidente e diretor executivo da fabricante, o investimento vale o benefício que traz: “a redução do peso dos ônibus de amanhã é essencial para sua sustentabilidade, e a aplicação inteligente do alumínio é um dos melhores métodos possíveis para alcançar essa redução em massa”, disse.
Estudo recente realizado pelo Instituto de Energia e Pesquisa Ambiental (Institute for Energy and Environmental Research - IFEU), na Alemanha, comprovou que 100 kg a menos em um ônibus urbano, movido a diesel, economiza 2550 litros de combustível e reduz, significativamente, a emissão de CO2 equivalente por toda sua vida útil. Outras pesquisas revelam que a redução do peso estrutural resulta na otimização do consumo de combustível, de pneus, de freios, de lubrificantes e de suspensão – o que resulta numa redução expressiva dos custos operacionais –, além de proporcionar menor desgaste das peças e contribuir para manter o volume de carga máxima dentro dos padrões exigidos por lei. Ao pacote de vantagens, somam-se o valor residual do produto – já que a venda de uma carroceria usada de alumínio chega a valer metade do preço de uma recém-saída da fábrica – e a possibilidade de reaproveitamento do material por meio da reciclagem. Oportunidades no Brasil “Tenho conversado com as principais encarroçadoras e elas estão totalmente aquecidas e com possibilidade de investimento, o que nos faz estimar um aumento do consumo de alumínio da ordem de 20%”, diz Luigi Lombardi, gerente de vendas da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Iveco chega a América Latina Outra novidade promissora vem da Marcopolo, empresa que responde por cerca de 42% da produção nacional e mantém três das suas dez fábricas no Brasil. Nesse ano, a montadora deverá produzir, em nível global, 20 mil carrocerias de ônibus. Dessas, 14mil, pelo menos, serão fabricadas em território brasileiro. Segundo a empresa, ainda não há planos de substituir o aço por alumínio na confecção das estruturas de carroceria – como aconteceu até a década de 80, quando as carrocerias dos veículos urbanos eram 30% mais leves graças à aplicação do metal não-ferroso. Entretanto, o revestimento lateral externo superior e inferior (saia) dos ônibus, além dos perfis em janelas, portas, porta-pacotes, piso e escadas (chapa xadrez), suportes e acabamentos – todos em alumínio – deverão totalizar um consumo aproximado de 6700 mil toneladas do metal em 2008, num incremento de 10% do consumo em relação ao ano passado, de acordo com a fabricante. Atualmente, os veículos da Marcopolo utilizam, em média, 230 kg de alumínio (nos microônibus), 580 kg (em ônibus urbanos) e de 650 a 700 kg em ônibus rodoviários.
Alumínio é sonho da engenharia
Mas para que a área de suprimentos torne realidade o sonho dos engenheiros seria preciso, na opinião de Furlan, um abatimento do preço do alumínio em até 40%. No ano passado, a Buscar tentou substituir chapas de alumínio utilizadas para o revestimento dos ônibus por aço. “Não conseguimos porque o alumínio dá uma ótima planicidade e ótimo acabamento, que o aço não consegue alcançar”, diz. De fato, a fabricação de estruturas mais lisas beneficia a aerodinâmica do veículo e a redução do consumo de combustível. A Busscar, que acaba de fechar um contrato de fornecimento de mil unidades veiculares para o Grupo Constantino, prevê um crescimento de 30% em número de carrocerias para esse ano. No total, serão fabricadas 6142 mil, com um consumo mensal de alumínio de 2,6 mil toneladas. O metal é utilizado nos revestimentos lateral externo superior e inferior, nos dutos de ar-condicionado (porta-pacotes), nas tampas de bagageiro, em suportes, entre outros. Para aplicação das chapas, a liga utilizada é 3104 H32, e para os perfis, 6063 T6.
|
||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||