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Edição nº 14
MUNDO AUTOMOTIVO
Tanques para transporte de líquidos, uma análise de custos
Estudo compara custos de investimento e desempenho entre dois implementos similares, um em aço carbono e outro em alumínio
 
A última edição da Fenatran - 16º Salão Internacional do Transporte, realizada entre 15 e 19 de outubro, em São Paulo, deixou claro que os tanques para transporte de líquidos fabricados em alumínio estão ocupando um espaço que antes era exclusivo dos modelos fabricados em aço. Fabricantes de implementos rodoviários como a Randon, a Boreal e a estreante Rhodoss expuseram seus tanques em alumínio, dividindo espaço com as versões tradicionais em aço carbono ou inox.

Por mais notória que sejam as vantagens de utilizar implementos em alumínio - entre elas, permitir a maior capacidade de transporte de carga devido à redução de tara - o número dessas unidades rodando nas estradas do País ainda é pequeno, prevalecendo os tanques de aço, ao contrário de países da América do Norte e da Europa, sem contar a vizinha Argentina, onde os modelos em alumínio aparecem em maioria. Os motivos para isso, explicam os fabricantes de implementos rodoviários, repousam em questões culturais (o equipamento de aço chegou antes e seu uso já está consagrado) e, em comparação ao aço carbono, nos custos de aquisição de um equipamento novo, sem uma análise dos benefícios em serviço.

A despeito dessa predominância dos tanques de aço, fabricantes de implementos têm avançado nos projetos em alumínio, por entenderem que esse é o futuro do transporte de cargas no Brasil, sobretudo as líquidas. A Random apresentou na Fenatran, um novo modelo de semi-reboque que dispensou o uso do chassi para sustentar o tanque, dado a leveza do material. A Rhodoss - que entrou no mercado de implementos rodoviários há quatro meses com tanques para transporte de líquidos (leia a entrevista nesta edição) - também fabrica modelos utilizando o metal. A Boreal, por sua vez, aposta exclusivamente em tanques de alumínio.

Divulgação: Boreal/Heil
Um dos empresários responsáveis pela difusão dos tanques de alumínio no Brasil é Rafael Wolf Campos, sócio-diretor da Boreal. Segundo Campos, não há razões para não escolher o implemento nesse material, dado sua maior capacidade, segurança, qualidade e, inclusive, o custo do investimento.

"Comparado ao aço carbono, o alumínio apresenta um retorno de investimento em uma média de três anos, este ponto tem feito com que empresas transportadoras e de logística pensem e analisem a opção pelo implemento fabricador nesse metal", defende Campos.

Para embasar seus argumentos, o empresário elaborou uma simulação - com base em informações reais de custo de fabricação e de uso dos implementos - na qual compara dois tanques semi-reboques, um em aço carbono, ao preço de R$ 100 mil, e outro em alumínio, a R$ 200 mil. A planilha é dividida em duas partes, uma discrimina o "operacional" do tanque, com capacidade de carga e faturamento/ganho em seu transporte. A outra parte demonstra os custos do investimento financiado em três anos, pelo FINAME - Financiamento de Máquinas e Equipamentos, subsidiado pela BNDES. (vide tabela)

As questões operacionais do estudo são claras e mostram as vantagens do tanque em alumínio. Sua capacidade de transporte é 11,11% superior ao de aço, proporcionando um ganho de faturamento similar. Essa diferença, explica Campos, será usada ao longo dos 36 meses para amortizar o investimento inicial. Já a simulação de investimento feita pelo próprio FINAME conclui que, apesar do desembolso duas vezes maior pelo implemento em alumínio, esse investimento é pago num curto espaço de tempo.

"Em três anos o investidor consegue amortizar o pagamento desse FINAME, juntamente com o diferencial de ICMS, porque um investimento de R$ 200 mil tem muito mais ICMS do que um de R$ 100 mil. Ao final, teremos uma diferença a favor do alumínio em R$ 7 mil", explica.

A simulação mostra ainda que o valor residual dos implementos depois de três anos, calculado em 50% do valor inicial, também vai a favor do alumínio. Campos ressalta, entretanto, que um produto de aço carbono, com três ou cinco anos de uso, perde muito mais valor. "Incluímos o valor residual na simulação porque os transportadores, empresas e usuários, não conhecem ou não tem o costume e nem idéia de valor de revenda do tanque de alumínio", explica o diretor.

O estudo conclui, portanto, que a opção pelo implemento em alumínio, decorrido os três anos de financiamento, traz um resultado positivo de R$ 57 mil para o investidor. O diretor da Boreal vai além, para ele, o mais importante não é provar que os custos justificam a escolha, mas mostrar que os ganhos, em média de 10% ou 11% a mais de capacidade, trazem inúmeras vantagens inerentes a esse fator, como a diminuição da frota de veículos e a conseqüente melhora no tráfego, aumento da segurança nas estradas e conservação das vias.

"Um de nossos deveres é mostrar para o mercado como ele pode otimizar sua frota, e as grandes empresas já começaram a fazê-lo. Vai existir realmente um mercado potencial muito grande, em um curto espaço de tempo, que vai absorver essa maior capacidade e vai tornar o tanque de alumínio uma realidade no Brasil".

Tanques semi-reboque - Comparativo de investimentos
SEMI REBOQUE
Aço Carbono
Alumínio
Diferença
Capacidade (litros)
45.000
50.000
11,11%
(ganho real)
Faturamento/mês (R$)
25.875,00
28.750,00
11,11%
(ganho utilizado)
Diferença mensal
faturamento (R$)
 
2.875,00
2.875,00
Juros Finame (Tx Anual)
1,0%
1,0%
-
Juros Banco (Tx Anual)
3,0%
3,0%
-
TJLP (Tx Anual)
6,5%
6,5%
-
Total Parcelas
46 meses
-
 
Carência
3 meses
3 meses
 
Juros carência
2 meses
2 meses
 
Valor produto (R$)
100.000,00
200.000,00
 
Entrada (10%) (R$)
10.000,00
20.000,00
-10.000,00
Parcelas (34x)
110.027,97
210.782,59
-100.754,62
Total investimento (R$)
120.027,97
230.782,59
-110.754,62
Crédito de ICMS (*)
(12% do valor) (R$)
11.400,00
22.800,00
11.400,00
Receita a maior
(durante Finame) (37) (R$)
 
106.375,00
-4.379,62
Sub Total (R$)    
7.020,38
Residual após 3 anos
(50% do valor inicial) (R$)
50.000,00
100.000,00
50.000,00
Diferença após 3 anos (R$)    
57.020,38
(*) Crédito de ICMS sobre o valor total menos IPI.
Fonte: Apresentação de Rafael W. Campos no III Congresso Internacional do Alumínio, em maio de 2007.
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